quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Americanos

Que eles se acham, ninguém tem dúvida... Mas vamos ao que REALMENTE interessa: o que eles fizeram de 'yúpi' no mundo pra se acharem tanto:


É... nada demais... só armas de fogo que servem pra..... pra..... (insira sua cara de dúvida aki!) pra.... Ah é... pra matar! (plim!)

Pois é... e pq mesmo que eles se acham??

Da série perguntas que não se calarão! =)

Love ya USA! (y)

Bessssos à todos!


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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pra rir ou pra chorar?

Olá minha genteee!
Então que achei uma imagem vagueando por aí e não sei se rio ou se choro... sério! oO
Me respondam, por favor??? =/




Sério, #EURI!
Litros!

FikDik pra minhazamiga! ^.~

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Um bêeeeejo à todos!

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Status da semana

Oi minha gente...
Primeiramente, desculpe a falta de posts de minha parte... se vc são daki de Friburgo, sabem o que se passa se não são, tenho certeza q acompanharam pelos jornais do mundo.
Mas antes disso eu já não postava ha um tempo... pois é... não tenhome sentido bem comigo mesma e isso acaba afetando na criatividade né... mais uma vez, me desculpem, juro tentar melhor isso ok?
Maaaaaas... reiniciando os posts, e iniciando daki nosso 2011 juntos...
Aki vai nosso calendário de humor semanal... E, levando-se em conta que hj é sexta, é exatamente como ele q eu estou! rá!


EEE segunda começa td de novo... na verdade, domingo, uma vez que quando ouço o pessoalzinho do Fantástico falar "boa noite", pra mim já soa um "bom dia hj é segunda"!
¬¬°
Enfim....

Beijos à toddds!



Via Dr. Pepper

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Causas de mortes no país

Hoje senti uma pontada no peito, será que posso estar a um pé na cova, ou são gases? Bom, não sei, então é melhor procurar um cardiologista, espero que dê tempo até o dia da consulta. Ai então resolvi procurar um pouco sobre as causas de morte do pais e da uma olhada ai embaixo.








Resumindo, tomará que eu esteja com gases.

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Deita na Br

Hoje estou postando aqui, um texto de uma amiga de Fortaleza, ela não quer se identificar, por enquanto, e no final vou fazer meus comentários..



Estou estreando no Blog e gostaria de compartilhar alguns pensamentos que tive enquanto curtia um dos meus hobbies favoritos: Ouvir música.  

Como uma legítima filha da terra do sol, o gênero de música que mais toca por aqui é o forró (que aliás, é uma delicia para se dançar juntinho). E isso inclui o modo mais autêntico como o “pé de serra” (estilo: dois pra lá, dois pra cá) ao atual “eletroeletrônico” (estilo: piruetas acrobáticas). E eis que de repente, escuto: “Se ele não te ama, se ele não te quer, vê se me esquece, se me odeia, deita na BR, se me odeia, deita na BR”. Ahhhhnnnnnnnn ???? Séééééério ?

Caramba! Sabe aquela sensação de quando você quer se lembrar de uma música, por exemplo, mas fica impossível porque simplesmente tem outra que não sai da sua mente? Pois é... Passei uns três dias com isso martelando meu juízo. Claro que nesse ínterim ouvi todos os outros estilos de músicas e cantei outras tantas que gosto, mas qualquer espaço “inutilizável” em minha mente lá vinha o refrão: “.... se me odeia, deita na BR, se me odeia, deita na BR...”

Não vou aqui entrar no mérito quanto à licença poética da música (?), mas, “deita na BR”?
Deixa ver se eu entendi: Eu odeio uma pessoa e vou literalmente me deitar na BR para me suicidar?? Poxa, além do cara não me amar e eu estar com meu orgulho ferido (e não venha querer me dizer que não há quem não se sinta assim), ainda vou bater as botas?
Ok, não sejamos tão drásticos. Talvez “deita na BR” signifique “apenas” o fato de que a pessoa por quem você foi trocado (a), não esteja nem aí pra vc, ou seja, queira que vc vá mesmo é “catar coquinhos”.
Ou, escolha um trecho sem muito movimento na BR e de preferência na madrugada, aonde o risco de morte é bem menor, pense e reflita sobre a sua vida e me deixe em paz.
Ou, na verdade, não signifique porcaria nenhum, apenas o fato de que era preciso fazer uma música de forró que simplesmente pudesse tocar em TODAS as rádios e TODO MUNDO cantasse junto no show, até porque do fundo do meu coração, acho que a intenção foi essa mesma. E, pra te falar a verdade, está dando o maior resultado por aqui. 
 Aqui termina o texto dela e agora um pequeno comentário, não sobre o texto, mas de uma bela "música"que ouvi nesssa final de semana, enquanto ia pra Cordeiro, um cara  passou com um som alto e eu so consegui gravar essa parte linda dessa melodia: "Se você está de bobeira, mete e dedo no * e cheira" 
Veja bem, eu não sou contra nenhuma tipo de demonstração cultural, mas o fdp precisa fazer uma música assim? Aliás, isso está muito longe de ser música, mas não duvido nada que isso ou deite na Br se transforme no próximo hit do carnaval nacional. 
Afinal se você está de bobeira....

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Compra coletiva na Serra

Não é nenhuma novidade o título desse post, mas eu não estou aqui pra falar apenas sobre o que é compra coletiva, o que todo mundo sabe, mas sim dos efeitos que ela pode causar dependendo da falta de estrutura que a empresa pode ou não ter. Vamos lá.

Há poucos meses, conheci o negócio de compras coletivas através de propagandas espalhadas praticamente por milhares de sites conhecidos, do famoso PEIXEURBANO, mas no momento nem me interessei so procurei saber o que era esse tal site e como funcionava esse "esquema". 


Ai dias depois resolvi pesquisar um pouco mais e pelo que entendi a ideia da compra coletiva tinha surgido nos EUA e o negócio era vender mais por menos, ou seja, vender uma quantidade grande numa vez só e com isso o dono do estabelecimente poderia dar desconto para todo mundo. O primeiro site que fez isso foi o GROUPON, e como aqui no Brasil, me corrijam se eu estiver errado, ainda não tinha, o peixe urbano abocanhou de vez grande parte dos consumidores afoitos em comprar mais barato, ou no linguajar do brasileiro, "comprar no mole".


Poucos meses atrás, apareceu um tal de "Boa da Serra" do Facebook pedindo autorização de amizade, acho que  é assim que se fala, ai aceitei e fiquei aguardando. 



Ele prometida algo novo na cidade, mas eu não podia imaginar que seria a compra coletiva, já que esses grandes não tinham chegado no interior, mais precisamente, Nova Friburgo. Então no dia de sua estreia uma promoção de dar água na boca, pizza de cebola carameliza na Pizzaria Predileta, não lembro o valor, mas a coisa chegava a cerca de 50% de desconto. 

Muitas pessoas começaram então a se perguntar e suspeitar que isso pudesse ser mutreta, afinal qual estabelecimento que daria tanto desconto assim? Bom, eu particularmente não comprei por estar receoso, mas logo que soltou a segunda promoção eu fui e "arrisquei", até porque, se desse algum problema eu iria perder pouca grana, cerca de 30 reais, então valeria a pena correr o risco e ver se o negócio  era realmente vantajoso. Comprei uma costela grande no famoso restaurante Mexicano La Quebrada, na verdade comprei duas, uma pra mim e outra pra primeira dama.


Vou confessar, a primeira vez que fui, fiquei um pouco desapontado, pois o atendente criou caso com uma coisa que não era pra criar, mas tudo bem, não seria isso que estragaria a noite o pior mesmo foi ver o tamanho da costela que veio,  mal dava pra duas pessoas normais comerem e na descrição do site estava que servia 4 pessoas, infelizmente sai aquela noite com fome de lá e com a impressão negativa do negócio que eu tinha feito. Mas de qualquer forma eu tinha comprado 2, então ainda me estava sobrando 1, que, mais cedo ou mais tarde, eu iria ter que torrar, gostando ou não. Então essa semana resolvi ir com a primeira dama, e com um casal de amigos. Vou te dizer a má impressão do "primeiro encontro" foi apagada, vejam só que beleza de costela.


De qualquer forma, não da pra 4 pessoas comerem como dizia no anuncio, mas duas pessoas comem satisfatoriamente essa beleza com batatas crocantes e fresquinhas.

Mas a questão principal do post vem agora... Quando eu sai da primeira vez com a má impressão eu comecei a pensar se realmente os estabelecimentos estariam preparados pra isso. Pro dono é uma beleza vender 50, 100 ou até 1000 de uma paulada só, mas isso não vale de nada se ele mesmo não tiver estrutura pra suportar. 

Na verdade esse tipo de negócio de compra coletiva serve, e muito, pra alavancar qualquer estabelecimento e fazer um capital de giro rápido, e uma propaganda sem praticamente custo inicial algum, mas o dono tem que ter uma organização tanto de logistica e de funcionários porque senão isso pode fazer com que isso tudo vire uma propagando negativa. Imagine só, você compra, lê as regras de uso e vai pra conhecer o ambiente, no caso de um restaurante, ai chegando lá você se identifica como sendo um cliente de compra coletiva, pronto, a partir dai a coisa muda, o garçon te trata de maneira diferente, e te impõe condições que não foram estabelecidas anteriormente, muitas vezes por falta de comunicação entre dono e funcionário ou pelo fato do garçon ter passado a atender 10 vezes mais pessoas por dia, ele mesmo não aguenta mais trabalhar dobrado ganhando o mesmo e até o dono pode agir de outra forma achando que fez mal negócio em vender mais barato e não está lucrando o suficiente.

Eu particularmente vejo a compra coletiva como uma das forma de propaganda mais vantajosas que existem, eu ja tive empresa, um curso de informática e sempre fizemos diversas propagandas, de todas as formas possiveis, tv, internet, rádio, revista, carro de som, pafletagem, mala direta, outdoor, e outras que não consigo lembrar, mas a que mais dava retorno imediato era com uma empresa que tinhamos parceria em São Paulo, eles faziam um trabalho direto dentro das escolas e conseguiam um quantidade muito boa de alunos numa paulada só, e o importante disso, era cativar todos esses alunos que entravam, até porque eu sempre digo isso, quando um cliente sai satisfeito ele não faz questão de falar bem, ele sai satisfeito e se por acado alguem perguntar ele diz que gostou muito e tal, é raro o cliente que sai espalhando boa notícia sem que ninguem pergunte, mas quando o cliente sai insatisfeito ele faz questão de contar pra todo mundo, isso é fato. Então no meu caso, quando entravam muitos alunos eu tinha que fazer de tudo e conversar com os professores pra que eles carregassem no colo essas pessoas, e muitas vezes eu pequei por não estar presente e ver que muitos saim insatisfeitos porque o professor não estava dando atenção.

É o mesmo com o caso do Restaurante ou qualquer outro negócio que se meta nas compras coletivas, eles tem que estar preparados pra aguentar o rojão das vendas que muitas vezes superam as expectativas e ao mesmo tempo tratar o cliente como um familiar, eu particularmente não sou muito exigente, pra mim, tudo ta bom, mas sou do cara que analiso muito as coisas e consigo ver má vontade nas pessoas ou não. Ontem mesmo quando fui no Lá Quebrada, fomos muito bem atendidos pela garçonete, me desculpe mas não lembro o nome, e ela além de muito simpática foi muito atenciosa.

Outro ponto em questão que, se não me engano saiu até em algum jornal falando sobre isso, é do cliente que compra mais barato nas compras coletivas não voltar depois no lugar em uma outro oportunidade pra pagar o preçao "cheio" no caso o preço normal. Eu particularmente, não vejo nada demais em pagar barato coletivamente e depois voltar num outro dia e pagar o preço cheio, até porque eu gosto dos lugares, sejam eles, pousadas, restaurantes, clinicas e etc, mais pelo atendimento e qualidade, é claro que o preço conta muito, não estou descartando isso.

Resumindo a questão, na minha opinião, eu só vejo vantagem nas comprar coletivas, tanto pra quem consome, quanto pra quem vende e pro site, no caso pra quem mora em Friburgo eu recomendo o Boa da Serra, e não, não estou recebendo nada por isso, é propagando gratuita mesmo meu irmão, pelo simples fato de ser uma empresa séria e que, das vezes que liguei, me atenderam e resolveram todas minhas dúvidas, então acho que o mínimo que posso fazer é falar bem.

Existem outros sites de compra coletiva aqui em Friburgo, são eles:



Mas desses eu não posso falar nada, só estou indicando, cabe a cada um utilizar e dizer o que acha.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vídeos incriveis de animais


Todo dia a gente acaba se surpreendendo com alguns vídeos na internet, mas acho que, quando são com animais a coisa, pelo menos pra mim, fica muito mais impressionante, até porque você tem certeza, 99% das vezes, que a coisa não é encenada. Vou te dizer que eu não sou fã de ver vídeos de bichos brigando e saindo todos ferradas, mas nessa caso, creio que os dois tenham se machucado pouco. Olha só esse vídeo desse sapo, mas creio ser uma Rã, com essa cobra.

Ai acabei encontrando esse outro vídeo interessante, saca só o Rato Chuck Norris

Último episódio de Chapolin Colorado

Cara, na boa, eu choro até hoje vendo Chaves e Chapolin e tenho certeza que muitos da minha idade e até com mais e menos também gostam demais dessa série que fez e faz tanto sucesso. Então que, sem querer querendo, tive a idéia de procurar o último episódio e acabei encontrando e pelo que entendi e li em alguns lugares a coisa foi mais ou menos assim...

Chapolin começou no início da decada de 70 e esse episódio foi em 1979, se não me engano, sendo que em 78 o Kiko e seu Madruga sairam pra tentar fazer sucesso com um programa deles, na verdade o Kiko saiu e chamou o Ramon pra trabalhar com ele ai pelo que entendi o programa Chapolin so teve mais 1 ano de vida, porem o chaves continuou um pouco mais. Olha so a raridade, está em Espanhol mas com legenda, sei que não é a mesma coisa porque a dublagem conta muito, mas mesmo assim, vale a pena ver.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Stop Motion com moedas

Para quem não sabe ainda, Stop Motion, é uma sequencia de imagens, normalmente fotografadas uma de cada vez, juntadas gerando assim um vídeo, sacou?! Lembra daqueles desenhos que alguem da sua turma de infância fazia no canto do caderno e depois com o polegar fazia esse monte de imagens ganhar vida? Normalmente era um bonequinho palito que pulava na piscina ou de um predio. Mas pra fazer uma pequena animação dessa, dava um trabalho danado, e tinha que ficar sempre vendo o quadro anterior pra coisa não ficar muito escrota e ridícula. Então esses dois caras ai resolverem colocar em prática a paciência e o tempo deles em questão. Saca só.



Dica do meu primo Diego.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tragédia e esperança na Serra Fluminense

Belo texto escrito por meu grande amigo, Márcio Madeira.

 
De um lado, o pesadelo.

Uma madrugada sem dormir, a falta de luz, o alto barulho da chuva vencendo um silêncio de tensão compartilhada. Ta chovendo demais, ta chovendo demais. Pela janela a luz de relâmpagos revela a rua alagada, enquanto o estrondo e o chacoalhar de um carro que tentava escapar revelam o enorme buraco escondido pela água escura. O dia amanhece, os olhos ainda exploram os estragos visíveis, quando o som indescritível de uma avalanche anuncia algo de grandioso acontecendo. O coração dispara, o olhar se volta para a esquerda, e a consciência duvida do que os olhos estão vendo. Todo o morro esta descendo. É muita, muita terra. O entulho some da vista, escondido pelos prédios. Um forte estrondo é ouvido, surge uma gigantesca nuvem de poeira. Não era encosta, não havia falhas na topografia nem tampouco casas em local de risco. É mata nativa, reserva natural. Se ali está desabando, então todo o resto já terá caído.

O pensamento se volta para os amigos que ali residem. Nomes, rostos. Corremos para o telefone. Mudo. Ainda chove forte, mas é preciso ir lá ver. Há lama e destruição por todos os lados, pessoas choram e correm. Na rua anterior um verdadeiro rio impede a passagem, permitindo apenas ver um caminhão dos bombeiros esmagado por entulhos. “Seis bombeiros morreram” – alguém diz, aos prantos. Não era boato. Mais alguns minutos e a chuva para. Podemos chegar mais perto.

Corpos passam em macas o tempo todo, bombeiros perguntam se alguém tem experiência em primeiros socorros ou reanimação. É difícil saber qual a melhor forma de ajudar. Amigos de infância estão debaixo de uma montanha de lama e escombros, onde antes havia belas casas tradicionais. Uma grávida é resgatada enquanto dá à luz um filho morto. Do outro lado da praça, a água cobre carros e pontes, invade o shopping. Pessoas buscam lugares elevados, cachorros nadam a seus lados. Há pânico e informações desencontradas por todos os cantos. “A igreja de Santo Antônio está destruída”, “o teleférico acabou”, “edifício tal está para cair”, “fulano de tal morreu”, “estrada tal está interditada”, “tal bairro não existe mais”.

Uma volta pela cidade começa a dar a dimensão da tragédia, enquanto a luz não volta e não é possível ver os jornais. A coisa foi grande, foi muito grande. Devem estar tentando falar com a gente, querendo notícias. O drama extrapola os limites da zona atingida. Não há como tranqüilizar amigos ou parentes. Voltamos para casa. A comida na geladeira ameaça estragar. É preciso fechar o registro de água, para que a lama e o esgoto não contaminem o que resta na cisterna. É preciso economizar. Há pessoas presas em elevadores, e a luz não voltará em menos de dois dias. A subestação foi afetada, postes caíram, e há fios de alta tensão entre os escombros, onde também há vazamento de gás. O comércio está fechado, hospitais estão isolados e/ou destruídos, não há gasolina. Amigos se reencontram e cumprimentam em silêncio. Não cabe perguntar se está tudo bem, é preciso buscar novas formas de saudação.

O sol se põe, é preciso tentar dormir. Mas como? Bateria do celular começa a acabar, na eterna busca por sinal. Lanternas e velas se esgotam apesar do racionamento. O mundo fica cada vez mais escuro, somos todos cegos. A noite se arrasta no medo de que volte a chover. Um banho rápido e gelado no escuro talvez ajude a passar o tempo e a diminuir um pouco a sensação de angústia e tensão.

O sol torna a nascer. Parentes de vítimas não se afastam dos montes de escombros. Passaram a noite por lá. Não existem ônibus circulando, pessoas caminham dias inteiros. O dinheiro é curto, bancos e caixas eletrônicos não funcionam. Filas se formam nos poucos estabelecimentos que se atrevem a funcionar. A entrada de pessoas é controlada, pois há medo de saques. Os preços se multiplicam, uma única vela pode custar até dez reais. Revolta e tristeza invadem a alma: “há necessidade disso? Já não sofremos o bastante?”.

A presidente está na nossa rua, os helicópteros não param. “A coisa deve ter sido ainda maior do que parece” – pensamos. Ainda sem luz, não temos tanta noção. A cidade se enche de bombeiros, policiais, homens do BOPE, da Guarda Nacional. O Exército também está aqui, é muita gente trabalhando. Na praça ergue-se um hospital de campanha; no Instituto de Educação um IML é improvisado. Um médico pede um pouco de pomada descongestionante, pois o cheiro dos corpos já em decomposição começa a se tornar insuportável, e se espalha por toda a cidade.

Uma grande caixa d’água se rompe num bairro afastado. A notícia ganha proporções catastróficas no boca-a-boca de uma população apavorada. Interfone e telefone tocam ao mesmo tempo. “Corre que a represa rompeu, vai inundar a cidade inteira, a água vai chegar até o segundo andar”. Bombeiros apavorados sobem em caminhões, doentes são transportados para os andares superiores de hospitais improvisados, pessoas são pisoteadas e atropeladas, ou brigam ferozmente por uma vaga nos caminhões que abandonam o centro à toda velocidade.

Não haveria volume d’água na maior represa da cidade que fosse suficiente para causar nem um milésimo do que era alertado, mas pouca gente consegue pensar calmamente quando até mesmo os militares estão em pânico. Alarme falso, terror real.

De outro lado, a esperança.

Caminhões com donativos começam a chegar um após o outro, enquanto pessoas surgem de todas as cidades dispostas a ajudar. Os telefones começam a tocar timidamente, ainda é difícil conseguir contato. Do outro lado da linha vozes amigas choram de alívio a cada alô.

Boas notícias surgem, de vez em quando. Existem sobreviventes, algumas pessoas são resgatadas com vida. Em Friburgo, no bairro de Duas Pedras, o morador da casa mais alta, próxima à Fundação Getúlio Vargas, sente a estrutura de sua casa balançar e sai de imediato. Desce a rua no escuro e debaixo de chuva dando o alarme do desabamento iminente aos seus vizinhos. O morro desaba, mas nenhuma vida se perde ali. Herói da vida real, prefere o anonimato.

O trabalho no voluntariado consola e renova. A sensação inigualável de servir e ser útil, a admiração por ver pessoas de fora trabalhando tanto ou mais que nós, os interessados. Descarregar um caminhão dá muito mais trabalho do que parece, descobrimos isso rapidamente. E imaginar que, em algum lugar do Brasil, este mesmo trabalho estafante foi feito com alegria por pessoas que nem sequer nos conhecem...

A ajuda material é, a um só tempo, útil e simbólica, pois carrega em si uma mensagem invisível. Sacia as necessidades do corpo, cura as doenças da alma. Uma garrafa d'água não é só uma garrafa d'água. É uma declaração de amor e de apoio, de alguém que saiu de casa e foi comprar, levou para o posto de coleta, onde pessoas com amor carregaram o caminhão. É, portanto, material sagrado. É sacrifício do povo, é atitude, é gente comendo menos para que outros possam comer alguma coisa. É carinho materializado.

Nos hemocentros, filas se formam com doadores. Doadores de sangue, doadores de vida. Gente que literalmente deseja dar parte de si mesmo ao próximo. Impossível se manter o mesmo diante de tantas forças, sejam elas tristes ou bonitas. De certo modo, é justo dizer que todos nós morremos debaixo do lamaçal. Não somos mais os mesmos, nem temos o direito de ser.

A consciência sobre as bênçãos e responsabilidades de simplesmente estar vivo se amplia indefinidamente. Continuamos aqui, por algum motivo. Estamos sendo abraçados, protegidos. É preciso justificar isso, é preciso trabalhar, honrar os que se foram, e os que estão ajudando. A vida nos deu uma página em branco. É preciso reconstruir, e fazer uma cidade melhor e mais segura do que antes. É preciso renascer, tornar-se uma pessoa melhor e menos alienada, abandonar o superficial e voltar os olhos ao essencial. É preciso ajudar a quem precisa, dividir o que se tem. Há que brotar vida verdadeira desta mesma lama, adubada por tantos amigos inesquecíveis que por lá pereceram.

A luz voltou, e os jornais falam em tragédia anunciada. Meia verdade. Em Petrópolis e Teresópolis choveram 130 mm. Em Friburgo foram 182. Em algumas cidades a tragédia de fato se concentrou em bairros periféricos e casas em locais de maior risco. Em Friburgo, reservas naturais e mansões desabaram da mesma forma. Casas de classe média alta, a 200 metros de encostas, foram soterradas. Não houve distinção. Falar em drenagem ou muros de contenção diante de tamanha potência é fazer piada de mau gosto. Útil, sim, seria um plano diretor livre de demagogias, e um sistema de alarme eficiente, como o herói anônimo de Duas Pedras.

Chega o domingo, e com ele os primeiros raios de sol. Faz um dia bonito, apesar da poeira, e quando começa a anoitecer o céu assume uma coloração azul deslumbrante. Uma leve brisa sopra pelas ruas desertas, e, por um instante, as sirenes dão uma trégua. Fecho os olhos por alguns segundos torno a abri-los. Perco o olhar nas estrelas e me deixo levar. Em minha cabeça ouço nitidamente a voz vigorosa de Renato Russo cantando.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã...”